quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O jornal em sala de aula

O processo de leitura e de escrita deve se dar de forma contextualizada, conforme orientam os PCNs. Estamos utilizando o jornal em sala de aula como forma de levar os nossos estudantes a uma leitura e escrita críticas. 

Essas ações estão sendo desenvolvidas em uma escola onde 99% dos estudantes não tinham acesso à leitura de jornais, revistas e etc. 

Primeira parte:

O/a estudante escolhe o assunto que lhe interessa no jornal, faz leitura silenciosa, depois apresenta um comentário oral para os colegas. Caso mais de um estudante tenha lido a mesma matéria, já aparece a forma de comentar diferente. 

Nessa atividade, verifica-se como o/a estudante entende o que lê. Além disso, favorece  o uso de uma linguagem mais formal. 

Total de aulas: de 02 a 04 aulas

Segunda/ parte:

O/a professor/a dá o título de uma matéria e pede aos estudantes que redijam um parágrafo sobre o assunto abordado nessa matéria, depois solicita a leitura do parágrafo de cada estudante. Um estudante lê o texto do outro e corrigi os erros gráficos com uso de dicionário.

Total de aulas: de 02 a 04 aulas

Terceira atividade:

Leitura partilhada da matéria cujo título foi apresentado na terceira  atividade;

Conceitos dos gêneros textuais jornalísticos;

Marcas linguísticas presentes nesses textos: pronomes, verbos, advérbios e conjunções, uso da pontuação e ortografia.

Total de aulas: de 02 a 04 aulas

Quarta parte:

Leitura de texto verbal e não vernal: O/a professor/a solicita que os alunos leiam  as charges e façam   um comentário por escrito também para ser apresentado à turma. 

Leitura de temas da atualidade, desenho de charges em equipe e apresentação ao grupo.

Atividade com grau de dificuldade mediana.

Total de aulas: de 02 a 04 aulas

Quinta parte:

A turma será dividida em equipes e sairá a campo para montar um jornal sobre o bairro dela.

Total de aulas: de 06 a 10 aulas


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sertão: seca ou descaso?

       Nessas histórias, onde começa a literatura e termina a realidade é apenas uma questão de sensibilidade. Quem nasceu no nordeste, sertão do Ceará, na década de 70 e viveu a década de 80 sabe bem como é viver em um lugar onde falta tudo: água, alimentação, educação, saúde e vida.     
      Talvez quem leia as obras Fome e Violação, de Rodolfo Teófilo, ache que a imaginação do escritor seja forte, mas, não, a realidade é que é mais cruel que qualquer ser possa imaginar. Em A Fome, uma das cenas mais ferozes é a de uma criança que arqueja e os cachorros tentam rasgá-la para comê-la. Trava-se então uma luta entre os cães e um retirante faminto e sedento  tentando "salvar" aquele ente... é a fome gerando a morte e a vida...Outros chegam a Capital em busca de socorro, mas convivem com a violação da vida.
          O governo distribui ração, nessa ração a humilhação e o servilismo convivem de mãos dadas. Além disso,  alguns pais veem suas filhas serem defloradas por pessoas que distribuem a ração...As doenças também devastam a já dizimada população, valas comuns abrigam mortos que em comum tem a doença, a miséria e a morte.
        Enveredando um pouco mais pelo  universo literário da fome a seca,  encontramos Em Quinze, de Raquel de Queiroz, os retirantes sofrendo as auguras da seca e partindo  rumo a capital. No caminho, vão encontrando morte e vida... Animais que tombam no sol inclemente, apenas pele e osso, pessoas que não resistem a caminhada e morrem no caminho... Apenas os urubus fazem festa ante a imagem medonha que vai se desenhando com um gosto macabro... Um bando de pessoas, embaixo de um juazeiro, esfola uma vaca morta cuja podridão se faz sentir até pelos urubus para matar a fome...
       Outros livros vão sendo contados pelos idosos aos mais novos: uma família de 26 filhos come um pirão feito com os ovos de uma rolinha. Um pouco de farinha e água serve de esperança aos desgraçados. Folha de juazeiro também mata a fome de muitos desses deles... É tanta miséria que...
      Secas e mais secas se sucedem e esse povo que vive da fé e da esperança senta o joelho ossudo no chão e clama pela providência...
      Desde  a década de 70, de acordo com o livro dos mais velhos, surgiu um sistema emergencial,promovido pelo governo. Nele,  os homens faziam cerca e açudes nas grandes propriedades rurais em troca de um fornecimento/ração para a família. Com isso ,ampliavam o poder dos latifundiários/coronéis. A água brotava do de cacimbas feitas à mão por homens e mulheres feitas de pele e osso.
     Na década de 80, novamente a seca assola esse povo e uma criança de apenas 10 anos passa a registrar suas impressões desse martírio:
     as pessoas não riam, eram caveiras que andavam de um lado para o outro; 
        as crianças brincavam com ossos de animais mortos;
    no sistema de emergência, homens sem força empurravam carrinhos de barro;
     outros cavavam aquele barro duro e quente dias a fio para ganhar uma diária; 
       não havia voz humana, só o tinir dos ferros e o ranger daquele carro carregado de barro.
      em barracas, mulheres cozinhavam feijão e na hora do almoço repartiam um pirão, cabisbaixas, não comiam ou quando faziam, era apenas lamber a concha e os restos do fundo da panela de barro- barro, um pouco de farinha e um caldinho fino eram o alimento delas;
      havia saque nos comércios;
     a fome obrigava a tudo... 
  Os Urubus rondavam, as pessoas não podiam parar, pois a qualquer minuto algum abutre poderia arrancar-lhes os olhos...
     Alguma coisa começou a mudar... não foi só a chuva que caiu, mas na década de 90 começou a chegar a esses lugares ermos escola, com ela merenda escolar,  com merenda alguma esperança...
     Hoje esse sertão não saiu do lugar, a seca continuou aperiando... Há animais mortos, mas não há retirantes; não há saques nos comércios... Não há sistema de trabalho emergencial, há a perda safra, há a bolsa-família, há cisternas, há carros pipas, há médicos e remédios para coisas simples como febre, diarreia; mulheres não morrem mais de parto, há o agente de saúde; a maioria das crianças está na escola, há merenda escolar...
     Talvez as crianças de hoje não convivam com o mundo ideal, mas certamente, não vão contar nos livros futuros os mortos que a fome enterrou... Muitas necessidades estão por esse sertão do Ceará, mas de fome e sede morre-se menos. Há menos urubu espreitando os nossos olhos... 

Treine seu conhecimento sobre Ariano Suassuna


domingo, 14 de setembro de 2014

Leitura, escrita e criticidade

Leitura e escrita são processos que se complementam. A possibilidade de desenvolver atividades de leitura e escrita de forma contextualizada, não só torna o processo mais fácil como também favorece a reflexão sobre o uso que se faz da língua, e, consequentemente, há uma consciência cidadã que percebe o mundo, comunica-se com ele e interage... Como afirma João Cabral de Melo Neto:

Quando um rio corta, corta-se de vez 
o discurso-rio de água que ele fazia; 
cortado, a água se quebra em pedaços, 
em poços de água, em água paralítica. 
Em situação de poço, a água equivale 
a uma palavra em situação dicionária: 
isolada, estanque no poço dela mesma, 
e porque assim estanque, estancada;
mais: porque assim estancada, muda, 
e muda porque com nenhuma comunica, 
porque cortou-se a sintaxe desse rio, 
o fio de água por que ele discorria. 

O curso de um rio, seu discurso-rio, 
chega raramente a se reatar de vez; 
um rio precisa de muito fio de água 
para refazer o fio antigo que o fez. 
Salvo a grandiloqüência de uma cheia 
lhe impondo interina outra linguagem, 
um rio precisa de muita água em fios 
para que todos os poços se enfrasem: 

se reatando, de um para outro poço, 
em frases curtas, então frase a frase, 
até a sentença-rio do discurso único 
em que se tem voz a seca ele combate. 

Um passo importante que cada professor/ cada professora de língua portuguesa dá nesse processo de conscientização da cidadania é através da língua, portanto é interessante abrir-se para leituras e perspectivas de novos letramentos educando/educador. Esse material nos dá a dimensão do trabalho com a língua de forma consciente.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Escrever é dom ou processo?

             Muita gente já caiu nessas e em outras pegadinhas e não quis saber de escrever, vamos corrigir essas  pegadinhas.
       Escrever é um processo que inicia com a leitura. Assim, devemos ler para contar oralmente, contar por escrito, contar  através de mímicas, contar através de imagens... quando menos esperamos, eis a mágica: estamos escrevendo!
          O empenho é um fator extremamente importante na hora de escrever, leia-se empenho como algo agradável, prazeroso... não como obrigação, pois um texto pode ser escrito inúmeras vezes e ainda faltar algo ou ter algo em excesso. Escrever é algo como amar, só se aprende amando! 
        As dicas são bastante úteis, mas há algo que vem da prática. No amor, podemos ter várias dicas, mas só sabemos o que é o amor, quando amamos. A escrita segue isso...ou seja, como a maioria das coisas que se vive, ela é um processo que quanto mais trabalhado mais saboroso vai ficando...




Uma linda história





Analise essa imagem- texto não verbal-: cor, paisagem olhar distante, livro etc. A partir desse texto não verbal, imagine uma história  e conte nos.

A importância de escrever e ler



1. Reflita e responda:

a. o que significa a expressão "nos unimos para além do tempo"?

b. de que forma os braços limitados podem abraçar o mundo?

c.  de que riqueza o texto trata?

d. como a riqueza de outros pode nos enriquecer?

2. Transforme o pensamento do Filósofo em uma frase.

3. Na oração " e os limitados braços se propõem a abraçar o mundo", temos:

a. hipérbole.
b. catacrese.
c. antítese.
d. eufemismo.

4. Em, " A riqueza de outros nos enriquece a nós, temos.
a. metáfora.
b. pleonasmo.
c. metonímia
d. antítese.

5. Pense em coisas interessantes que você leu e produza um texto sobre a riqueza que você acumulou através da leitura.


Texto 1 QUESTÃO 1========================= Na primeira oração, a vírgula foi utilizada, porque há A) um vocativo. B) um aposto. C) um...