quinta-feira, 15 de maio de 2014

Natal na barca


Lygia Fagundes Telles
Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E que me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu.
O velho, um bêbado esfarrapado, deitara-se de comprido no banco, dirigira palavras amenas a um vizinho invisível e agora dormia. A mulher estava sentada entre nós, apertando nos braços a criança enrolada em panos. Era uma mulher jovem e pálida. O longo manto escuro que lhe cobria a cabeça dava-lhe o aspecto de uma figura antiga.
Pensei em falar-lhe assim que entrei na barca. Mas já devíamos estar quase no fim da viagem e até aquele instante não me ocorrera dizer-lhe qualquer palavra. Nem combinava mesmo com uma barca tão despojada, tão sem artifícios, a ociosidade de um diálogo. Estávamos sós. E o melhor ainda era não fazer nada, não dizer nada, apenas olhar o sulco negro que a embarcação ia fazendo no rio.
Debrucei-me na grade de madeira carcomida. Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos como mortos num antigo barco de mortos deslizando na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.
A caixa de fósforos escapou-me das mãos e quase resvalou para o. rio. Agachei-me para apanhá-la. Sentindo então alguns respingos no rosto, inclinei-me mais até mergulhar as pontas dos dedos na água.
— Tão gelada — estranhei, enxugando a mão. 
— Mas de manhã é quente.
Voltei-me para a mulher que embalava a criança e me observava com um meio sorriso. Sentei-me no banco ao seu lado. Tinha belos olhos claros, extraordinariamente brilhantes. Reparei que suas roupas (pobres roupas puídas) tinham muito caráter, revestidas de uma certa dignidade.
— De manhã esse rio é quente — insistiu ela, me encarando.
— Quente?
— Quente e verde, tão verde que a primeira vez que lavei nele uma peça de roupa pensei que a roupa fosse sair esverdeada. É a primeira vez que vem por estas bandas?
Desviei o olhar para o chão de largas tábuas gastas. E respondi com uma outra pergunta: 
— Mas a senhora mora aqui perto?
— Em Lucena. Já tomei esta barca não sei quantas vezes, mas não esperava que justamente hoje...
A criança agitou-se, choramingando. A mulher apertou-a mais contra o peito. Cobriu-lhe a cabeça com o xale e pôs-se a niná-la com um brando movimento de cadeira de balanço. Suas mãos destacavam-se exaltadas sobre o xale preto, mas o rosto era sereno.
— Seu filho?
— É. Está doente, vou ao especialista, o farmacêutico de Lucena achou que eu devia ver um médico hoje mesmo. Ainda ontem ele estava bem mas piorou de repente. Uma febre, só febre... Mas Deus não vai me abandonar.
— É o caçula?
Levantou a cabeça com energia. O queixo agudo era altivo mas o olhar tinha a expressão doce.
— É o único. O meu primeiro morreu o ano passado. Subiu no muro, estava brincando de mágico quando de repente avisou, vou voar! E atirou-se. A queda não foi grande, o muro não era alto, mas caiu de tal jeito... Tinha pouco mais de quatro anos.
Joguei o cigarro na direção do rio e o toco bateu na grade, voltou e veio rolando aceso pelo chão. Alcancei-o com a ponta do sapato e fiquei a esfregá-lo devagar. Era preciso desviar o assunto para aquele filho que estava ali, doente, embora. Mas vivo.
— E esse? Que idade tem?
— Vai completar um ano. — E, noutro tom, inclinando a cabeça para o ombro: — Era um menino tão alegre. Tinha verdadeira mania com mágicas. Claro que não saía nada, mas era muito engraçado... A última mágica que fez foi perfeita, vou voar! disse abrindo os braços. E voou.
Levantei-me. Eu queria ficar só naquela noite, sem lembranças, sem piedade. Mas os laços (os tais laços humanos) já ameaçavam me envolver. Conseguira evitá-los até aquele instante. E agora não tinha forças para rompê-los.
— Seu marido está à sua espera? 
— Meu marido me abandonou.
Sentei-me e tive vontade de rir. Incrível. Fora uma loucura fazer a primeira pergunta porque agora não podia mais parar, ah! aquele sistema dos vasos comunicantes.

— Há muito tempo? Que seu marido...
— Faz uns seis meses. Vivíamos tão bem, mas tão bem. Foi quando ele encontrou por acaso essa antiga namorada, me falou nela fazendo uma brincadeira, a Bila enfeiou, sabe que de nós dois fui eu que acabei ficando mais bonito? Não tocou mais no assunto. Uma manhã ele se levantou como todas as manhãs, tomou café, leu o jornal, brincou com o menino e foi trabalhar. Antes de sair ainda fez assim com a mão, eu estava na cozinha lavando a louça e ele me deu um adeus através da tela de arame da porta, me lembro até que eu quis abrir a porta, não gosto de ver ninguém falar comigo com aquela tela no meio... Mas eu estava com a mão molhada. Recebi a carta de tardinha, ele mandou uma carta. Fui morar com minha mãe numa casa que alugamos perto da minha escolinha. Sou professora.
Olhei as nuvens tumultuadas que corriam na mesma direção do rio. Incrível. Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata fatos sem ter realmente participado deles. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido, via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Apatia? Não, não podiam ser de uma apática aqueles olhos vivíssimos, aquelas mãos enérgicas. Inconsciência? Uma certa irritação me fez andar.
— A senhora é conformada.
— Tenho fé, dona. Deus nunca me abandonou. 
— Deus — repeti vagamente.
— A senhora não acredita em Deus?
— Acredito — murmurei. E ao ouvir o som débil da minha afirmativa, sem saber por quê, perturbei-me. Agora entendia. Aí estava o segredo daquela segurança, daquela calma. Era a tal fé que removia montanhas...
Ela mudou a posição da criança, passando-a do ombro direito para o esquerdo. E começou com voz quente de paixão: 
— Foi logo depois da morte do meu menino. Acordei uma noite tão desesperada que saí pela rua afora, enfiei um casaco e saí descalça e chorando feito louca, chamando por ele! Sentei num banco do jardim onde toda tarde ele ia brincar. E fiquei pedindo, pedindo com tamanha força, que ele, que gostava tanto de mágica, fizesse essa mágica de me aparecer só mais uma vez, não precisava ficar, se mostrasse só um instante, ao menos mais uma vez, só mais uma! Quando fiquei sem lágrimas, encostei a cabeça no banco e não sei como dormi. Então sonhei e no sonho Deus me apareceu, quer dizer, senti que ele pegava na minha mão com sua mão de luz. E vi o meu menino brincando com o Menino Jesus no jardim do Paraíso. Assim que ele me viu, parou de brincar e veio rindo ao meu encontro e me beijou tanto, tanto... Era tamanha sua alegria que acordei rindo também, com o sol batendo em mim.
Fiquei sem saber o que dizer. Esbocei um gesto e em seguida, apenas para fazer alguma coisa, levantei a ponta do xale que cobria a cabeça da criança. Deixei cair o xale novamente e voltei-me para o rio. O menino estava morto. Entrelacei as mãos para dominar o tremor que me sacudiu. Estava morto. A mãe continuava a niná-lo, apertando-o contra o peito. Mas ele estava morto.
Debrucei-me na grade da barca e respirei penosamente: era como se estivesse mergulhada até o pescoço naquela água. Senti que a mulher se agitou atrás de mim 
— Estamos chegando — anunciou.
Apanhei depressa minha pasta. O importante agora era sair, fugir antes que ela descobrisse, correr para longe daquele horror. Diminuindo a marcha, a barca fazia uma larga curva antes de atracar. O bilheteiro apareceu e pôs-se a sacudir o velho que dormia: 
- Chegamos!... Ei! chegamos! 
Aproximei-me evitando encará-la.
— Acho melhor nos despedirmos aqui — disse atropeladamente, estendendo a mão.
Ela pareceu não notar meu gesto. Levantou-se e fez um movimento como se fosse apanhar a sacola. Ajudei-a, mas ao invés de apanhar a sacola que lhe estendi, antes mesmo que eu pudesse impedi-lo, afastou o xale que cobria a cabeça do filho.
— Acordou o dorminhoco! E olha aí, deve estar agora sem nenhuma febre.
— Acordou?! 
Ela sorriu: 
— Veja...
Inclinei-me. A criança abrira os olhos — aqueles olhos que eu vira cerrados tão definitivamente. E bocejava, esfregando a mãozinha na face corada. Fiquei olhando sem conseguir falar.
— Então, bom Natal! — disse ela, enfiando a sacola no braço.
Sob o manto preto, de pontas cruzadas e atiradas para trás, seu rosto resplandecia. Apertei-lhe a mão vigorosa e acompanhei-a com o olhar até que ela desapareceu na noite.
Conduzido pelo bilheteiro, o velho passou por mim retomando seu afetuoso diálogo com o vizinho invisível. Saí por último da barca. Duas vezes voltei-me ainda para ver o rio. E pude imaginá-lo como seria de manhã cedo: verde e quente. Verde e quente.

1. De acordo com o texto, responda:
a. Por que o título do texto é Natal na Barca?
b. Quem é a autora desse texto?
c. Quantos parágrafos há nesse texto?
d. Quais são as personagens do texto?
e. Onde se passa a ação?
f. Quando se passa a ação?
g. O que chama a atenção do/a narrador/a?
h. Como o/a narrador/a vem se sentindo?
i. O que a conversa com a mulher faz o/a narrador/a pensar?
j. Quais tragédias já haviam acontecido na vida da mulher?
2. Retire a passagem em que a religiosidade da mulher aparece.
3. Conte esse texto com suas palavras.



A Última Crônica


A Última Crônica

                    Fernando Sabino
           A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
          Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
         Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
        São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
          Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
FERNANDO SABINO
Nasceu em 12 de outubro de 1923, na capital mineira, Belo Horizonte. Aprendeu a ler em casa, na adolescência trabalhou como locutor de rádio e já escrevi para revistas da cidade.Em 1940, Fernando Sabino  ingressou na Faculdade de Direito, mesma fase em que inicia no “Folha de Minas” como redator. Em 1941, publica no Rio de Janeiro, o livro de contos “Os Grilos não Cantam mais, seu primeiro lançamento literário. Em 1942, trabalhou na Secretaria de Finanças de Minas Gerais, além de trabalhar como professor de português. Em 1943, é nomeado oficial de gabinete do secretário de Agricultura do Estado. Em 1944, muda-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como oficial de Registro de Interdições e tutelas da Justiça, forma-se em direito em 1946, e viaja para os EUA com Vinícius de Moraesmorou em Nova York por dois anos, trabalhando no Consulado Brasileiro.   Em 1956, lança o livro “Encontro Marcado”, obra editada até no exterior; em 1957, decide viver somente da escrita, lançando livros e escrevendo para os jornais. Em 1964, é contratado por João Goulart para trabalhar em Londres, a permanência na Inglaterra o fez correspondente da Copa de 66 para o Jornal do Brasil. Entre as suas obras mais recentes estão uma biografia da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, de 1991; e o romance “Os Movimentos Simulados”, de 2004. Faleceu no dia 11 de outubro de 2004, em sua casa no bairro de Ipanema, após ter lutado contra um câncer de fígado.

1. Indique a que gêneros pertencem o texto 1 e o 2. Explique por que esses textos pertencem aos gêneros.
2. O que sabemos sobre Fernando Sabino de acordo com o segundo texto?
3. Que fatos histórico e personalidades históricas aparecem no texto 2.
4. Quais as principais obras de Fernando Sabino?
5. Que motivo dá inicio ao 1º texto?
6. Por que a cena chamou a atenção do narrador?
7. Onde se passa a ação?
8. Qual a condição daquela família?
9. Como se comporta a família no botequim?
10. Retire do texto passagem que comprova carinho e zelo dos pais com a filha.
11. Conte com suas palavras o texto 1.



Observe um fato do cotidiano e produza uma crônica.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Dorival Caymmi




Biografia de Dorival Caymmi:
Dorival Caymmi (1914-2008) foi um cantor e compositor brasileiro, cantava os costumes e tradições da Bahia. Entre suas canções de sucesso estão "Samba da Minha Terra", "Marina", "Samba da Bahia", "O Dengo Que a Nega Tem" e "Saudade de Itapoã".
Dorival Caymmi (1914-2008) nasceu em Salvador, Bahia, no dia 30 de abril de 1914. Filho do funcionário público, descendente de italianos, Durval Henrique Caymmi e de Aurelina Soares Caymmi, descendente de portugueses e africanos. Seu pai tocava piano, violão e bandolim. Desde menino cantava no coro da igreja.
Dorival Caymme interrompeu os estudos no primeiro ano ginasial, para trabalhar como auxiliar de escritório e, depois, caixeiro-viajante. Nessa época aprende a tocar violão sozinho, desenvolvendo um estilo pessoal, e compõe suas primeiras canções, como "No Sertão" (1930). Começa a cantar no rádio e em 1935, estréia o programa "Caymmi e Suas Canções Praieiras" na Rádio Clube da Bahia.
Em 1938, tenta a sorte no Rio de Janeiro. Consegue apresentar-se na Rádio Transmissora cantando o samba "O Que É Que a Baiana Tem?", mais tarde incluído no filme Banana da Terra (1938), com Carmen Miranda, e que alcança sucesso nacional. Em 1939 passa a atuar na prestigiosa Rádio Nacional no Rio de Janeiro, onde conhece a caloura Stella Maris, com quem se casa. Emplaca nos anos 40 e 50 sucessos como "Samba da Minha Terra" (1940), "Rosa Morena" (1942), "Marina" (1947), "Não Tem Solução" (1952), "João Valentão" (1953), "Maracangalha" (1956).
Nos anos 70, foi condecorado pelo governo baiano. Apresenta as músicas "Oração para Mãe Menininha" (1972) e "Modinha para Gabriela", da trilha sonora da novela Gabriela.
Com problemas cardíacos, passou a apresenta-se esporadicamente em shows ao lado dos filhos Dori, Nana e Danilo, também músicos de sucesso. Em 60 anos de carreira, Dorival Caymmi gravou cerca de 20 discos, mas o número de versões de suas músicas feitas por outros intérpretes é praticamente incalculável. Sua obra, considerada pequena em quantidade, compensa essa falsa impressão com inigualável número de obras-primas. A editora Lumiar lançou em 1994 o songbook com suas obras, acompanhado por três CDs.
Dorival Caymmi morre de falência múltipla dos órgãos, no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto de 2008.
Disponível em: http://www.e-biografias.net/dorival_caymmi/ Acesso: 30/04/2014
Informações explícitas
1. De acordo com o texto, responda:
A. Quem foi Dorival Caymmi?
B. Qual a participação de Caymmi na música brasileira?
C. Quais foram suas canções de destaque?
D. Quando Caymmi começou  a trabalhar?
E. Que canção levou Caymmi a se destacar?
 Aspectos linguísticos
2. O texto foi escrito em 1ª ou 3ª pessoa?Justifique sua resposta com passagens do texto.
3. Os verbos estão no presente ou no passado?
4. Há palavras grafadas com letras maiúsculas no texto. Retire-as e explique por que estão grafadas com letras maiúsculas.
5. No texto, a maioria das palavras é escrita com letras maiúsculas ou minúsculas? Por que isso acontece?
Aspectos textuais
6. Esse texto está organizado em parágrafos. Indique a ideia central de cada parágrafo.
7. Cada autor procura organizar os parágrafos a partir de uma sequência de ideias. Reorganize os parágrafos desse texto a partir das ideias: nascimento, estudos, início da carreira, sucesso e morte.
8. Esse texto é uma biografia. Explique quais as características de uma biografia.
9. Escolha uma das imagens de Caymmi e componha um poema sobre ele.

domingo, 20 de abril de 2014

Leitura é vida






         A leitura, nas séries iniciais, sempre se voltou para tratar do imaginário coletivo infantil, buscando trazer para os livros alguns sonhos e desafios que pequenos heróis viviam. Basta lembrarmos as peripécias de João e Maria, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho... Esses desafios, vividos pelos heróis,  eram levados às crianças e estas começavam a aprender  como se defender sozinhas, não desobedecer etc.

         Na linha de leitura infantil , O Governo do Estado do Ceará vem selecionando obras  produzida por escritores cearenses, para o Programa Alfabetização na Idade Certa. Essa ação traz a vantagem de abordar temas locais, além de revelar talentos cearenses.  Essas obras trazem personagens infantis ou animais, vivendo situações difíceis, mas que com ideias simples e pensadas coletivamente são superadas. Não há uma ideia de foram felizes para sempre, mas há uma aprendizagem para que as crianças tornem-se agentes protagonistas de suas próprias vidas, quem sabe se tornarão adultos  mais conscientes.   Li parte da coleção 2012 e fiquei fascinada com a sensibilidade e leveza com que são abordados temas como BULLING, diversidade etc.

         EM   QUERO MEU CABELO ASSIM, há uma história afro-brasileira, pois o personagem é neto de ex-escravo que vivia em Redenção, muda-se para  Canoa Quebrada, pois é perto do mar, e o mar para ele o aproxima da África..., mas a história não é dele,  é do neto. O neto é quem sofre a falta de conhecimento cultural dos coleguinhas e de si próprio, pois eles não entendem a diferença entre o cabelo deles e de João. Até mesmo João não gosta do próprio cabelo, vive se olhando no espelho, mas não gosta do que vê. Um dia, após ser  humilhado na escola pelos colegas, chega chorando a casa e sua mãe conta um pouco da história de seu povo: povo forte, bonito que veio de longe; faz um penteado no filho. No dia seguinte, na escola, todos acham o cabelo dele lindo. Disso surge uma pesquisa sobre os tipos de penteados e todos ficam felizes.

           Hoje está comum o tal do BULLING na escola o qual faz vítimas... pais pedem mais rigor da escola, acusam-na de negligente... Onde estão as leis?! Coisas do gênero são bem comuns quando há notícias de violência na escola. Por que não dá uma lida em obras sensíveis e vê como pais, educandos e educadores podem trabalhar juntos para formar cidadão, não delinquentes.

          Tenho medo de ver crianças com seis, sete, oito anos... que praticam BULLING já sendo tratados como delinquentes. Que tal dar-lhes oportunidade de aprender a apreciar as diferenças, valorizar as informações culturais e acima de tudo tratar a vítima que prática BULLING...

Fica a dica de leitura e reflexão:

Se a mãe tivesse procurado a escola, as crianças recebido castigo... mudaria alguma coisa? Foi a ação da mãe, da professora, das crianças que tornou um BULLING em uma matéria de aprendizagem.

D. 1- IDENTIFICAR INFORMAÇÕES EXPLÍCITAS

1. De acordo com o texto, responda:
A. Qual o título do livro?
B. De quem é o texto?
C. De quem é a ilustração?
D. O livro pertence a qual coleção?
E. A leitura, nas séries iniciais, voltou-se para que?
F. Quais obras da literatura infantil aparecem citadas?
G. O que a coleção Programa de Alfabetização na Idade Certa traz?
H. Que temas são abordados na coleção?

2. Leia  a síntese da obra: Quero Meu Cabelo Assim e retire as passagens que você considera mais importantes.
3. Você sabe o que é BULLING? Converse com seus colegas sobre BULLING.
4. A mãe, a professora e as crianças encontraram uma solução para combater o BULLING. O que você achou da atitude delas?
5. Pense  em uma situação de BULLING que você viveu ou viu alguém viver e explique como você se sentiu.
6. Crie SLOGAN para combater o BULLING.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mergulhar na leitura

Leia o texto abaixo e procure adivinhar.




1. De que Elias José está falando?

2. Como você descobriu?

3. Dê um exemplo de quando elas movem a terra.

4. Escreva palavras que lembram coisas tristes. 

5. Escreva palavras que lembram coisas alegres.

6. Você gosta de palavras alegres ou tristes?

7. Escreva cinco frases com coisas que deixam você chateada/o.

8. Pesquise quem foi Elias José?







Preso no livro

Leia o texto

Leitura sempre foi/é um  problema crucial para muitos estudantes e professores. Tenho refletido sobre a prática de leitura, testado algumas situações e encontrado muitos adolescentes lendo muito, basta conversar com eles, para perceber que eles estão lendo coisas que a escola não indica. Estão selecionando procedimento de leitura e escolhendo muitas obras que falam de seus sentimentos, emoções etc. Se alguém consultar a venda de livros de autoajuda, vai se certificar disso.
Sugiro a seguir algumas reflexões sobre situações presentes na prática pedagógica e algumas inquietações.

NÃO É UMA VERDADE ABSOLUTA, POIS UM LEITOR CRÍTICO PENSA SOBRE O QUE LÊ, REFLETE, QUESTIONA,INQUIETA-SE E NUNCA ACEITA AS COISAS PRONTAS....


A leitura é uma viagem incrível. Quando vamos viajar, escolhemos os locais que desejamos conhecer, as aventuras que nos fazem felizes, os amigos com quem queremos partilhar nossa viagem... Por considerar que a leitura é uma viagem na qual alguns embarcam, outros preferem não embarcar por não se sentir motivados ou nunca ter sentido falta de viajar...

Vamos imaginar uma situação: Gostei de um lugar pela imagem que tenho dele, meu agente de viagem me falou bem desse lugar... fui convencida! Acredito que posso viajar sozinha, é mais econômico e emocionante! Chego ao local, não conheço ninguém, não entendo a língua desse povo, ando de um lado para o outro com um dicionário na mão, tentando me comunicar e... volto desolada para o hotel... retorno no dia seguinte e em outros, mas nada consigo, pois as pessoas falam frases rápidas e o dicionário não me ajuda. Detesto a viagem, não quero fazer outras.

Vamos imaginar essa situação, acontecendo no Brasil, em uma escola onde todos falam português.O professor falou das maravilhas que os clássicos da literatura trazem, que é para nota etc! Convenceu o leitor! Uma criança de 7º ano deve ler  contos do Machado de Assis, Lima Barreto,  alunos do Ensino Médio, sem ter base de leitura de outros autores, devem ler  romances do século XX, pois um aluno não ler Machado de Assis, José de Alencar, Aluísio Azevedo... É um absurdo! Eles são motivados, embarcam na viagem, podem pesquisar em dicionários palavras que desconhecem, mas se negam a ler.

Você pode pensar: puro desinteresse! Essa nova geração só quer saber de Facebook! Mas vamos pensar um pouquinho? ler cada página, parando inúmeras vezes, para consultar o dicionário, mantém o interesse pelo texto?

Vamos imaginar outra situação, são passados livros de autoajuda, Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo,
Rubem Alves, Elias José, Marina Colassanti  etc. com uma linguagem atual, divertida e que toca em temas do interesse de adolescentes. Eles conseguem ler, sem precisar de dicionário. Leem e indicam aos colegas. Se olharmos as postagens do Facebook, vamos ver que eles postam algo que fala das suas emoções: textos de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Carlos Drummond, Paulo Coelho, Rubens Alves, Cida Lemos, Dalton Trevisan etc.

Você já está triste? não pense que sou uma professora cruel que quer manter as crianças na ignorância, que desvaloriza a cultura erudita...Saiba que durante todo o tempo que ensino, coloco os alunos da ESCOLA PÚBLICA para ler paradidáticos, faço rodas de leitura, peças teatrais, exibo vídeos e os mantenho práticas diárias de leitura, de gêneros que abordam a linguagem denotativa a gêneros que abordam a linguagem conotativa. Leio  para eles, várias vezes, escolho os textos quando conheço a turma. Se tenho quatro turmas de uma mesma série, não padronizo uma única leitura, pois as turmas apresentam perfis variados... às vezes dá certo, outras não, mas não desisto...pois sou, antes de professora, uma leitora que devora da revista Ti,ti,ti ao Machado de Assis. 


1. O texto que você leu é:
A. verbal
B. Não-verbal
C. verbal e não-verbal.

2. Que relação existe entre o texto verbal e o não verbal?

3. Da interação entre o texto verbal e não verbal, percebemos que a autora considera a leitura algo:
A. difícil
B. apenas coisa da escola
C. algo que deve seduzir o leitor.

4. O texto é em prosa ou verso? Explique a resposta.

5.  O título do texto é ambíguo ( permite mais de uma leitura) que leituras podemos fazer sobre ele, após ler o texto inteiro? 

6. De acordo com a leitura do texto, responda:
A.  Como a autora considera a leitura no início do texto?
B.  Os adolescentes estão lendo? justifique a resposta com passagem do texto.
C. Como o adolescente escolhe  e age em relação à leitura?
D. O que a autora propõe no texto?
E. O que a autora afirma sobre o leitor crítico?
F. Que autores devem ser apresentados primeiro aos estudantes? Por quê?
G. Que passagem do texto comprova que a autora do texto é uma professora?
H. Que tipo de atividades de leitura é apresentada aos alunos?

7. No texto, a leitura é comparada a uma viagem. O que pode dificultar ou fazer  o leitor desistir da leitura?
Você concorda com essa ideia? Por quê?

8.  Indique algo ao colegas: "Li, assisti ou ouvi e é inesquecível" porque...

9. Quando as atividades de leitura não dão certo, o que a narradora faz?

10. Infere-se que o gosto pela leitora desenvolve-se a partir de:




Uma vela para Dario




Leia o texto a seguir.

De cada parágrafo,  foram retiradas duas palavras, procure inferir que palavras foram retiradas e preencha as lacunas.
Uma Vela para Dario
Dalton Trevisan

Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à (1)___________ de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de (2)___________, e descansou na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. (3)__________ abriu a boca, moveu os (4)__________, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque.

Ele reclinou-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o (5)______________ tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abriu-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe retiraram os sapatos, Dario roncou feio e bolhas de espuma surgiram no canto da (6)______________.

Cada pessoa que chegava erguia-se na( 7)___________ dos pés, embora não o pudesse ver. Os moradores da rua conversavam de uma porta à outra, as crianças foram despertadas e de pijama acudiram à janela. O senhor gordo repetia que Dario sentara-se na calçada, soprando ainda a (8)_______________ do cachimbo e encostando o guarda-chuva na parede. Mas não se via guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha gritou que ele estava morrendo. Um grupo o arrastou para o táxi da esquina. Já no (9)_____________ a metade do corpo, protestou o motorista: quem pagaria a corrida? Concordaram chamar a (10)____________. Dario conduzido de volta e recostado á parede - não tinha os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informou da farmácia na outra rua. Não carregaram (11)________________ além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito pesado. Foi largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobriu o (12)________________, sem que fizesse um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que vieram apreciar o (13)______________ e, agora, comendo e bebendo, gozavam as delicias da noite. Dario ficou torto como o deixaram, no degrau da peixaria, sem o (14)_________________ de pulso.

Um terceiro sugeriu que lhe examinassem os (15)______________, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficaram sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O (16)_____________ na carteira era de outra cidade.

Registrou-se correria de mais de duzentos (17)_____________ que, a essa hora, ocupavam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investiu a (18)__________________. Várias pessoas tropeçaram no corpo de Dario, que foi pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproximou-se do (19)_______________ e não pôde identificá-lo — os bolsos vazios. Restava a aliança de ouro na mão esquerda, que ele próprio quando vivo - só podia destacar umedecida com sabonete. Ficou decidido que o (20)_______________ era com o rabecão.

A última (21)____________ repetiu — Ele morreu, ele morreu. A gente começou a se dispersar. (22)____________ levara duas horas para morrer, ninguém acreditou que estivesse no fim. Agora, aos que podiam vê-lo, tinha todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso despiu o (23)_______________ de Dario para lhe sustentar a cabeça. Cruzou as suas mãos no peito. Não pôde fechar os olhos nem a boca, onde a espuma tinha desaparecido. Apenas um homem morto e a multidão se espalhou, as mesas do café ficaram vazias. Na janela alguns (24)__________________ com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço veio com uma (25)___________, que acendeu ao lado do cadáver. Parecia morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela (26)___________.

Fecharam-se uma a uma as janelas e, três horas depois, lá estava Dario à espera do (27)______________. A cabeça agora na pedra, sem o paletó, e o dedo sem a aliança. A (28)­­­­­­­­­­­­­­­­__________________ tinha queimado até a metade e apagou-se às primeiras gotas da chuva, que voltava a cair.
2.       Preencha as colunas abaixo com as palavras que você inferiu, em seguida compare com as palavras originais do texto.
    Palavra encontrada
Palavra original
1


2


3


4


5


6


7


8


9


10


11


12


13


14


15


16


17


18


19


20


21


22


23


24


25


26


27


28



3.       Resuma o texto. Min. 6 l Max. 10 l





4.       O texto que você leu é de Dalton Trevisan. Pesquise a biografia desse autor.

Texto 1 QUESTÃO 1========================= Na primeira oração, a vírgula foi utilizada, porque há A) um vocativo. B) um aposto. C) um...