quarta-feira, 13 de junho de 2012

Atividade de leitura e compreensão



Texto 1
O namoro na adolescência

Um namoro, para acontecer de forma positiva, precisa de vários ingredientes: a começar pela família, que não seja muito rígida e atrasada nos seus valores, seja conversável, e, ao mesmo tempo, tenha limites muito claros de comportamento. O adolescente precisa disto, para se sentir seguro. O outro aspecto tem a ver com o próprio adolescente e suas condições internas, que determinarão suas necessidades e a própria escolha. São fatores inconscientes, que fazem com que a Mariazinha se encante com o jeito tímido do João e não dê pelota para o herói da turma, o Mário. Aspectos situacionais, como a relação harmoniosa ou não entre os pais do adolescente, também influenciarão o seu namoro. Um relacionamento em que um dos parceiros vem de um lar em crise, é, de saída, dose de leão para o outro, que passa a ser utilizado como anteparo de todas as dores e frustrações. Geralmente, esta carga é demais para o outro parceiro, que também enfrenta suas crises pelas próprias condições de adolescente. Entrar em contato com a outra pessoa, senti-la, ouvi-la, depender dela afetivamente e, ao mesmo tempo, não massacrá-la de exigências, e não ter medo de se entregar, é tarefa difícil em qualquer idade. Mas é assim que começa este aprendizado de relacionar-se afetivamente e que vai durar a vida toda.
SUPLICY, Marta. A condição da mulher. São Paulo: Brasiliense, 1984.

1.  (SAEB-2007) Para um namoro acontecer de forma positiva, o adolescente precisa do apoio da família.
O argumento que defende essa idéia é
(A) a família é o anteparo das frustrações.
(B) a família tem uma relação harmoniosa.
(C) o adolescente segue o exemplo da família.
(D) o apoio da família dá segurança ao jovem.


Texto 2.

Quando a separação não é um trauma

               A Socióloga Constance Ahrons, de Wisconsin, acompanhou por 20 anos um grupo de173 filhos de divorciados. Ao atingir a idade adulta, o índice de problemas emocionais nesse grupo era equivalente ao dos filhos de pais casados. Mas Ahrons observou que eles "emergiam mais fortes e mais amadurecidos que a média, apesar ou talvez por causa dos divórcios e recasamentos de seus pais". (...) Outros trabalhos apontaram paraconclusões semelhantes. Dave Riley, professor da universidade de Madison, dividiu os
grupos de divorciados em dois: os que se tratavam civilizadamente e os que viviam em conflito. Os filhos dos primeiros iam bem na escola e eram tão saudáveis emocionalmente quanto os filhos de casais "estáveis". (...)
                Uma família unida é o ideal para uma criança, mas é possível apontar  pontos positivos para os filhos de separados. "Eles amadurecem mais cedo, o que de certa forma é bom, num mundo que nos empurra para uma eterna dependência.”
REVISTA ÉPOCA, 24/1/2005, p. 61-62. Fragmento.

2. (SAEB-2007)No texto, três pessoas posicionam-se em relação aos efeitos da separação dos pais sobre
os filhos: uma socióloga, um professor e o próprio autor. Depreende-se do texto que
(A) a opinião da socióloga é discordante das outras duas.
(B) a opinião do professor é discordante das outras duas.
(C) as três opiniões são concordantes entre si.
(D) o autor discorda apenas da opinião da socióloga.
(E) o autor discorda apenas da opinião do professor.

3. Responda:

A.  Que assunto é tratado no texto 1?
B. De acordo com o texto 1, há condições  internos e situacionais na questão do namoro. O que elas determinam?

C. De acordo com o texto 1,  que pode acontecer quando um dos parceiros vem de um lar em crise?

D.  Segundo o texto 2, que pontos positivos podem ser apontados em fihos de pais separados?
E.  A que conclusão chegou o trabalho do professor Dave Riley?

Texto 3. UECE – 2007.1 .
NOITE MADURA ESTÁ SUSPENSA
Heitor Saldanha

Minha memória é um céu que não habito
mas onde vivo em viagem permanente,
ela é que me revela o céu descrito
se me perco sonhando de repente.

Às vezes é como a estrela candente:
um rastro luminoso no infinito;
outras vezes é como um sol morrente
que se reflete em mim quando medito.

agora ela é teu rosto me fitando,
é teu sorriso claro proclamando
um poema que não posso conter

e cultivo esta insônia pensativa
para que tua imagem seja viva
antes que o dia venha te perder.

(“NUVEM E SUBSOLO”, editora Leitura S.A., Rio: 1968)

4. “Minha memória é um céu que não habito/masonde vivo em viagem permanente” (versos 01 e 02 ). Nesses versos o poeta
A) diz algo a respeito de seu estado de espírito.
B) mostra o seu estado mental.
C) diz que não vive na memória, mas que a memória é parte de seu mundo.
D) afirma que a memória é o único meio que encontra para viajar.

5. “Às vezes é como a estrela candente” / ”outras vezes é como um sol morrente”. (versos 05 e 07). Subentende-se desses versos que
A) a memória do poeta é luminosa como o sol.
B) sua memória, assim como o sol, é portadora de vida.
C) por vezes, a memória fica um pouco obscura.
D) o poeta perdeu a memória.

6. A palavra “candente” no verso 05 tem o sentido de
A) iluminada.      B) ardente.
C) ofuscante.       D) decadente.
7. No poema a palavra memória remete a
A) imaginação.   B) experiências.
C) saudades.       D) muitos fatos.

08.  O poema é composto a partir de duas figuras de linguagem:
A. metáfora e hipérbole
B. Sinestesia e comparação
C. comparação e hipérbato
D. Metáfora e comparação.
9.  A função da linguagem predominante no texto é:
A. emotiva   B. fática
 C. apelativaD. referencial.
10. Leia os trechos abaixo, em seguida relacione-os aos períodos literários a que pertecem:
(1) Trovadorismo     (2) Humanismo
(3) Classicismo         (D) Barroco.
(     ) Trecho de Sermão  do Mandato (1643), de Padre António Vieira.
Estes são os poderes do tempo sobre o amor. Mas sobre qual amor? Sobre o amor humano, que é fraco; sobre o amor humano, que é inconstante; sobre o amor humano, que não se governa por razão, senão por apetite; sobre o amor humano, que, ainda quando parece mais fino, é grosseiro e imperfeito. O amor, a quem remediou e pôde curar o tempo, bem poderá ser que fosse doença, mas não é amor. O amor perfeito, e que só merece o nome de amor, vive imortal sobre a esfera da mudança, e não chegam lá as jurisdições do tempo. Nem os anos o diminuem, nem os séculos o enfraquecem, nem as eternidades o cansam (...) Notável dizer! Em todas as outras coisas o deixar de ser é sinal de que já foram; no amor o deixar de ser é sinal de nunca ter sido. Deixou de ser? Pois nunca foi. Deixastes de amar? Pois nunca amastes. O amor que não é de todo o tempo, e de todos os tempos, não é amor, nem foi, porque se chegou a ter fim, nunca teve princípio. É como a eternidade, que se, por impossível, tivera fim, não teria sido eternidade.  Disponível em: http://chrystall.livejournal.com/132379.html.
(    ) “Amor é fogo que arde sem se ver
         É ferida que dói e não se sente,
         É um contentamento descontente
         É dor que desatina sem doer.”skip to main | skip to sidebar
(     )
Ninguém:
Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo:
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.

Ninguém:
Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo:
Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.

Ninguém:
Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato:
Que escreverei, companheiro?

Belzebu:
Que ninguém busca consciência.
e todo o mundo dinheiro.



Disponível em

domingo, 10 de junho de 2012

Em busca do conto

O trabalho, com produção textual em nossas aulas,  vêm rendendo frutos bastante saborosos. Trabalhamos a caracterização do conto, fizemos leituras de contos de séculos diferentes,  destacamos os contos de Noite na taverna, de Álvare de Azevedo. Também conceituamos a intertextualidade e a possibilidade de usá-la para dar sentidos aos textos. Após esse processo, fizemos a proposta de produção de contos de terror.

Leonardo Pereira, aluno do 2º J, brindou-nos com o conto que vamos apresentar:



Reflexo do doce lar
Era verão, um ótimo dia para se fazer um piquenique, mas o que se ouvia naquela manhã eram os sinos da igreja a tocarem. Lá da porta dela,  saiu um pequeno grupo de pessoas, depois veio a surgir um jovem casal.
 “Porque em teus lindos sonhos brota tamanha felicidade? ò será eterno em teu amor, como a eternidade da vida”?
Agora Elena já estava casada com Marcos. Filha predileta de seu pai,  professor de física, e de sua progenitora Marta, que não se encontra no mundo físico, mas que Elena sempre a encontrava em seus sonhos ou quando fechava bem os olhos e via-a sorrindo do seu lado, foi assim como fez em seu casamento.
Marcos realizou seu sonho de poder firma compromisso com sua amada Elena.  Filho do arquiteto João e Maria das Dores enfermeira do um hospital particular, sonhava agora em um modo construir uma imagem perfeita de sua própria família.
“Doce é a esperança, construir a braços forte um lar, mas o que é um lar? A quem considere a casa, mas ela é nada mais que simples tijolos empilhados um a um em uma massa grudenta que lhe dar firmeza temporária, pois com o tempo é tudo desmanchada e o que lhe resta são reformas para continuar firme”
Então o jovem casal permanecia unido matrimonialmente, mas separados pelo lar, pois ainda viviam com os pais. No entanto, a história mudaria em um dia.
Marcos corre do quarteirão de sua casa até a de Elena, ele  informa uma grande noticia:
-Elena, Elena venha aqui!Disse Marcos,  com ar de cansaço, pois correrá muito até sua casa. Ele relatou que acabará de receber uma propôs de trabalhar em uma grande empresa de pacotes de viagens que se localizava em São Paulo.
-Marcos, mesmo que eu queira muito dá sentido firme a nosso casamento, é muito longe da casa de nossos pais.  Como fica?
-Elena,  é hora de iniciamos a nossa família e não pertencer a uma já construída!
-Está certo! que seja tudo o que Deus queira!
“É compreensível imaginar que em tal século a mulher se tornou independente, mas as gotas da submissão prevaleciam em muitas, que infelizmente enchiam todas as suas decisões”
Assim a preparação foi feita um mês foi o suficiente para organizar a partida, mas o insuficiente para se despedir de todos. Eles pegaram o táxi e foram para o aeroporto, era 30 de março  quando deixaram Monte Negros, sua terra natal.
Chegaram ao desembarque de São Paulo e logo foram recebidos por Jorge, ele era o corretor que Marcos contratará para a compra de uma casa que se tornaria o começo da família. Pegaram o táxi e foram os três para o novo lar.
“Doce é a esperança, construir a braços forte um lar, mas o que é um lar? A quem considere a casa, mas ela é nada mais que simples tijolos empilhados um a um em uma massa grudenta que lhe dar firmeza temporária, pois com o tempo é tudo desmanchada e o que lhe resta são reformas para continuar firme”
O táxi parou diante de uma casa, ou melhor, dizendo “a casa”. Ela era de aparência horrível, sem vida, pois o tempo lhe tirou a cor, a terra era seca, as árvores sem nenhumas  folhas.
- Não marcos! Iremos viver aqui neste local sem vida!
-Não temos escolha Elena já tinha firmado o negócio com o corretor sobre a compra da casa,  ele me garantira que ela era ótima, mas vejo que não, mas se me amas ficará do meu lado para reform´-la de nosso modo.
“É incompreensível imaginar que em tal século a mulher se tornou independente, mas a gota da submissão prevalecia em muitas, que infelizmente enchem as suas decisões”

Assim foi decido ficar na casa, mas com o passar a casa se transformou, não era sem vida:
As folhas das árvores apareceram em seguida,  as flores na terra junto ao gramado, e a casa recebeu a pintura da paz. E assim foi  até o dia que mudaria tudo em uma manhã de 10 de abril.
- Marcos , eu quero te dar a boa nova, eu estou grávida.
-Obrigada Elena pela melhor noticia da minha vida.
Eles refletiram:  quem cuidaria de Elena e da casa. Logo Marcos propôs que fosse contratada uma empregada. Ele noticiou no jornal a procura, muitas vinham e nenhuma tinha qualidade de ficar até que...
A campainha toca e surgir uma bela mulher.
- Olá,  meu nome é Margarete, vim pelo anunciou.
- Por favor, entre, vamos fazer à entrevista. Disse Marcos.
Elena se encontrava na cozinha, mas quando ouviu a voz de uma mulher, correu para saber se era alguma candidata. Então se deparou com uma linda mulher com inocência nos olhos.
- Você tem experiência? Perguntou Marcos.
- Sim. Respondeu a gentil mulher.
- Dormiria se eu a contratasse em nossa casa.
Ela respondeu com um simples gesto de cabeça.
- Mas eu gostaria de trazer se eu fosse contratada o meu piano que ganhei de presente em um de meus serviços em casas de família.
Marcos respondeu que sim.
-Você tem parentes que moram perto?
-Não,  desde cedo perdi meus pais, assim fui criada em um convento de freiras.
Elena chama Marcos e fala:
- Contrate ela, pela entrevista é o suficiente.
“Mulher deixa entrar uma rosa branca em sua casa, ela é bela, mas tu não reparaste nos espinhos, gotas de sangue caíram quando tu furaste teu dedo.”
Assim fez, não demorou muito e a nova empregada se instalou na casa. E ela sempre pelas 11:00 da noite tocava uma melodia que saia do piano. A doce gentil emprega, nunca questionava os pedidos dos patrões, no entanto,  observava escondida os carinhos que a esposa recebia do marido.
Com o passar do tempo,  crescia a barriga de Elena, e junto o afastamento de Marcos à ela, ele não mais à procurava para lhe dar carinho. Ela agora chorava pelos cantos por ter um marido bêbado, e que chegava tarde a casa, trazendo várias fragrâncias de perfumes de mulheres.
Em certa noite, ele chegou , quando Margarete iniciava à sua melodia. Subiu as escadas e foi até o quarto de Margarete, e de uma vez abre a porta.
- o quê? Quem?
-Não se preocupe Margarete sou eu, Marcos! Continue.
Ela continuou a tocar, enquanto ele se aproximava, então ele a agarrou-a e lhe deu um beijo e começou a acariciá-la. Ela então gritou, a vizinhança ouviu e chamaram a polícia. Sim seria o fim.
-Seria... Se ela não se calasse e deixado tudo ir acontecendo, infelizmente Marcos regou a semente da atração de Margarete por ele. Assim depois do adultério, iniciaram um pacto entre eles, para sempre se encontrarem depois que ela termina-se de tocar, pois Elena dormia com a melodia.
 E assim foi, no entanto mudaria em uma noite de agosto 13, esta noite era sexta- feira.
Elena acorda com muita dor, olha o relógio e vê  que é muito tarde e Marcos não estava na cama. Apressada,  ela veste a camisola bem rápido  e dirige-se ao quarto de Margarete para pedir socorro, depara-se com a pior de todas as cenas que vivera na vida.
-Marcos, como pode em nossa própria casa!
-Eu posso explicar!
Margarete a tudo via calada, toda despida junto a Marcos.
Elena corre para o quarto e se tranca. Marcos se veste e rapidamente vai ao quarto. Pede que Elena abra a porta, Mas o que ouve é um tiro. Ele então arromba a porta,  depara-se com Elena morta na cama, somente vê o sangue escoar pelo lençol.
Então,  ele foge do quarto, como se estivesse fugindo de um predador, e estava, o  de seu próprio remorso. No ato de fugir cai da escada e se estala  no chão, duas gotas de lágrimas saem de seu rosto acompanhadas pelo lamento. Por  alguns segundos, elas ficam no chão, mas desaparecem quando a possa de sangue passa por cima.
“ O homem se feriu, com o próprio destino que escolherá, pedi perdão, mas é tarde não consegue mais a boca abrir, deixa apenas seus olhos falarem”
Margarete sai do quarto,  desce as escadas e passa por Marcos, vai a cozinha, pega uma faca e sobe, devagar passa pelo quarto do casal e vê Elena estirada na cama, ela  passa. No seu quarto , corta os pulsos e começa a tocar, até não conseguir mais, morre em cima do piano que tanto amava.
O silêncio na casa ecoa, e com o passar do tempo a casa tornou-se o que era no princípio, mas não mais solitária,  pois em algumas vezes, ela docemente emanava uma melodia, que acalmava o choro de um pagão ou os pedidos de perdão.
“ Quero que o mundo mude. Disseram para o homem que era impossível ele  voar, hoje ele voa mais rápido que o pássaro.”

1. Responda:
A. Quais são as personagens desse texto?
B. O texto inicia com a apresentação de partes da narrativa. Quais são elas?
C. O que sabemos sobre Marcos e Elena até a metade do conto?
D. Que elemento muda a estrutura de felicidade do casal?
E. Qual o final das três personagens?
2. Resumo o conto.
3. Na sua opinião, o recurso da intertextualidade foi bem aproveitado pelo autor do texto?
4. A beleza dessa história foi conseguida através de quê?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Adultério e abuso sexual na literatura: de Flaubert a Caminha.


          A segunda metade do século XIX viu eclodir obras literárias que rompiam com a visão romântica. Na França, Gustave Flaubert lança Madame Bovary na qual aborda o adultério cometido por Ema Bovary, mulher casada, que deveria respeitar os laços “sagrados do matrimônio”; Em Portugal, Eça de Queiroz nos brinda com O Primo Basílio, dentro da mesma temática. Essas obras escandalizam toda a sociedade, a leitura delas era proibida. Uma moça que as lesse ficava “falada”. Muito mais que mostrar o adultério como pecado mortal, os autores tocaram na hipocrisia social, pois o que eles escreviam acontecia aqui, ali, alhures.
          N0 Brasil, Rio de Janeiro, duas obras também abordam o tema: Memórias Póstumas de Brás Cubas – adultério claro, consentido. Dom Casmurro traz em suas páginas insinuações de um menino que não fora homem: Bentinho. Ele viveu “na barra” da saia da mãe, apaixonou-se por Capitu- uma menina linda e confiante, posteriormente, uma mulher decidida e forte. Ele passou a acreditar que ela o traía com Escobar e levou a vida nessa dúvida cruel. Ainda hoje perguntamos: Capitu traiu ou não Bentinho?
            O Ceará, não deixou por menos, escandalizou a quem pode ler os romances: A Normalista e O Bom Crioulo. No primeiro Adolfo Caminha abordou o abuso sexual, no segundo o homossexualismo.
           Caminha tocou no coração do dragão ao apresentar as feridas sangrentas de uma sociedade que calava diante de abuso sexual cometido dentro das “casas de família” cearenses. Era comum, naquele período, virem meninas e moças do sertão para casa de conhecidos e familiares para fugirem da seca, fome ou mesmo buscar trabalho.
           Maria do Carmo é vítima da seca, perde a família e fica na casa do padrinho João da Mata: A sua grande paixão, seu fraco, era Maria do Carmo, a menina dos seus olhos, a afilhadinha; queria um bem extraordinário à rapariga e tratava-a com carinho lânguido de amante apaixonado do supremo grau do amor incondicional. Criara-a desde pequena, era como se fosse pai, tinha direitos sobre ela; podia mesmo beijá-la – sem malícia, já se devia ver – nas faces, na testa, nos braços e até, por que não? Na boca. (CAMINHA, p. 13, 2005).
          
                Às vezes, quando Maria voltava da Escola Normal, ele mandava-a sentar-se na rede, a seu lado. A pequena guardava os livros e lá ia, sem fazer beiço, deitar-se com o padrinho, amarfanhando o rico vestidinho de cretone passado a ferro pela manhã. Obedecia-lhe cegamente, nunca lhe dissera uma palavra áspera; ao contrário – eram carinhos, cafunés no alto da cabeça, cócegas, histórias d’almas d’outro mundo e gracinhas para ele rir... tinha sempre um sorriso fresco e luminoso para “o seu padrinho”. E João da Mata sentia um bem-estar incomparável, uma delícia, um gozo inefável ante aquele esplêndido tipo de cearense morena, olhos de azeitona onde boiava uma névoa de ingenuidade, cabelos compridos descendo até a altura dos quadris, desanchando-se em ondas de seda finíssima... quantas vezes, quantas! Punha-se por traz dos grandes óculos escuros, a olhá-la como um pateta, sem que ela sequer percebesse a fixidez de um olhar cheio de desejo!  (CAMINHA, p. 13, 2005).
              “De beijos sem malicias ao ato sexual”, A menina começara a ser violentada desde que chegara a casa do padrinho, chegando a engravidar e perder o filho. Para silenciar os casos de abusos era comum “arranjar” marido para as moças ou mandá-las ter o filho em outro lugar, até o escândalo “esfriar”. Depois de tudo esquecido, pela sociedade, a moça casava-se e tornava-se “uma senhora de respeito”.
              Ninguém se indagava sobre as sequelas desse ato, mas a sociedade seguia “ordeira e respeitadora”. Silenciando os abusos e tentando silenciar quem os expunha. Caminha abriu o vespeiro e pagou caro, mas algumas pessoas puderam ler e questionar os valores que essa sociedade hipócrita impôs/impõe. 

Um escritor de vanguarda


BIOGRAFIA
Adolfo Caminha (1867-1897) nasceu em Aracati, em 19 de maio de 1867 e faleceu no Rio de Janeiro em 1º de janeiro de 1897. Filho de Raimundo Ferreira dos Santos Caminha e Maria Firmino Caminha. Ingressou na Escola Naval, tornando-se Guarda Marinho (1885), posteriormente, tornou Segundo-tenente (1888). Integrou a Padaria Espiritual com o pseudônimo de Guanabarino, sendo expulso da agremiação em 1896. Envolveu-se em um caso amoroso conturbado, deixou a farda e mudou-se para o Rio de Janeiro onde viveu como funcionário público e jornalista.

PRODUÇÃO LITERÁRIA
v  Contos - Judite e Lágrimas de Um Crente;
v  Versos - Vôos incertos (1887);
v   No País dos Ianques (1894) narração de viagem resultante de uma excursão aos Estados Unidos como oficial;
v  Romances - A normalista (1893) – O Bom Crioulo (1895) Tentação (1896);
v  Cartas Literárias (1895).
CRÍTICA SOBRE A PRODUÇÃO LITERÁRIA DE CAMINHA
Araripe Júnior
Observador e dispondo de grande sensibilidade artística para reproduzir os quadros da vida quotidiana, Adolfo Caminha, sem os exageros do realismo obscuro, e com um pouco mais de paixão pela forma, poderá colocar-se entre os mestres pintores de costumes, criando um domínio exclusivo para o seu talento.
Agripino Greco
Eterno inadaptado, insatisfeito em todos s meios, quaisquer que fossem os da imprensa, o da Marinha, o da província, o do Rio de Janeiro, o do estrangeiro, mostrou-se, descontente dos homens, ao menos curioso de todas as ideais, e os romances não apenas contrafecções do naturalismo, de um simples parasita da mesa de Zola.
Otto Maria Carpeaux
Depois da sensação algo escandaloso que os romances de Adolfo Caminha tinha provocado, o romancista foi quase  esquecido. Poucos críticos têm-no estudado, e poucos fizeram jus  ao seu talento rude, mas superior.

Sabóia Ribeiro
Um dos lados mais positivos de Adolfo Caminha é seu estilo simples, a sua linguagem enxuta, como hoje se diz. Partidário de uma arte acessível ao povo, máxime no campo da poesia e do romance, assim praticou, assim pregou. Seu estilo corrente, sem amaneiramento de qualquer espécie, não era nada comum, mas sim o estilo florido e ramalhudo.

Lúcia Miguel Pereira

Hoje, que Adolfo Caminha já não se segue, para quem o lê, há uma fila de romancistas com os mesmos processos, vemo-lo como uma das primeiras figuras de seu tempo, sofrendo sem desvantagem o confronto com Aluízio de Azevedo, para só falar do chefe do movimento naturalista entre nós.
Resumo de A Normalista
O narrador onisciente abre o primeiro capítulo da obra, apresentando as personagens, local em que se encontram e o que faziam: João da Mata sua casinhola e os frequentadores de tal ambiente os quais jogavam víspora. Em seguida, vem a descrição do flagelo da seca (1887) a qual tange as famílias de retirante rumo à capital - Fortaleza. A família de Maria do Carmo (A normalista) se junta a essa leva e busca amparo em Fortaleza, mas encontram morte e desespero: a mãe e um irmão dela morrem, o pai parte para o Pará e a órfã fica entregue aos cuidados de João da Mata – padrinho e pessoa da confiança do pai da menina. A menina estuda no colégio Imaculada Conceição e só vem nas férias para a casa do Padrinho. É tímida, triste, mas muito bonita. Maria do Carmo vem morar definitivamente com o padrinho e este se sente atraído pela jovem, faz-lhe carinhos e justifica, para si mesmo, ter direito sobre ela, pois a alimenta e dá-lhe casa. Ela conhece Zuza, este lhe manda cartas, despertando o ódio do padrinho e o medo de perdê-la para Zuza. João da Mata redobra os cuidados e as ações obscenas contra a jovem, finalmente a deflora e ela engravida. Zuza é obrigado a voltar a Recife. A menina sofre com o abandono e vê-se desgraçada, pois se descobre grávida, mas o padrinho a leva para um sítio, ela tem o filho e este morre quando nasce. A normalista volta para a casa do padrinho fica noiva do Alferes Coutinho e nada mais se fala sobre ela.

Texto 1 QUESTÃO 1========================= Na primeira oração, a vírgula foi utilizada, porque há A) um vocativo. B) um aposto. C) um...